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Quanto eu deveria orçar para gastos com saúde?
Separe a parte previsível da imprevisível. A previsível é mensal e você lê nos seus próprios documentos: mensalidade do plano de saúde, coparticipação típica por consulta ou exame, remédio de uso contínuo, dentista e óculos. A imprevisível precisa de reserva, e ela tem duas partes com data conhecida: o reajuste anual, que acontece no aniversário do seu contrato, e a mudança de faixa etária, que você consegue prever olhando a tabela do seu plano. Isto é orientação de orçamento. Não é orientação médica nem de escolha de plano, e não vamos dizer qual plano contratar ou manter.
O que esta página é e o que ela não é
Esta página trata de como colocar saúde no orçamento e nada além disso. Não vamos comparar planos, não vamos sugerir trocar, reduzir cobertura ou cancelar nada, não vamos citar percentuais de reajuste e não vamos explicar regras de regulação ou de carência. Essas decisões dependem da sua saúde, da sua família e do seu contrato, e envolvem escolher um produto, o que não cabe a um site de orçamento. O que cabe é a aritmética: descobrir quanto a saúde custa por mês na sua casa, garantir que esse dinheiro exista antes de ser gasto, e ter uma reserva para as partes que sobem em datas que você consegue prever.
Os números que você tira dos seus próprios documentos
Pegue o boleto ou o desconto em folha do plano e anote a mensalidade por pessoa. Pegue os últimos extratos de utilização e veja quanto costuma vir de coparticipação por consulta e por exame, se o seu plano tem esse formato. Some o que a casa gasta por mês em farmácia, separando remédio de uso contínuo do eventual. Acrescente dentista, que muitas vezes é plano à parte, e óculos ou lentes, que são anuais. Anote a data de aniversário do contrato, porque é nela que o reajuste anual é aplicado, e verifique na tabela do seu plano quando alguém da família muda de faixa etária. Esses são os únicos números que interessam, e todos estão nos seus papéis.
Orce a parte previsível todo mês
Crie um envelope Saúde e encha com a soma do que se repete: mensalidade do plano, remédio contínuo, e uma média das coparticipações dos últimos meses. Some o dentista se for mensalidade separada. Esse envelope deve ser cheio no dia do salário, junto com moradia, porque saúde não é despesa discricionária e não deve competir com lazer no fim do mês. Se a sua família usa muito o plano, a coparticipação pode ser a maior surpresa do orçamento, já que ela aparece com atraso e misturada na fatura seguinte. Registre cada uso quando acontece, e não quando é cobrado, para que o envelope reflita o que já está comprometido em vez do que já foi debitado.
As duas altas com data marcada
Ao contrário de quase tudo no orçamento, os aumentos do plano de saúde não são surpresas: eles têm data. O reajuste anual é aplicado no mês de aniversário do seu contrato, e a mudança de faixa etária acontece em um aniversário que você conhece há décadas. Anote as duas datas na descrição do envelope. Um mês antes de cada uma, refaça o orçamento com o valor novo em vez de descobrir pelo débito. E use uma Reserva Programada de Saúde para o que é irregular por natureza: procedimento marcado, exame particular, óculos, aparelho ortodôntico. Alimentar essa reserva com um valor fixo todo mês é o que evita que uma consulta necessária vire uma parcela no cartão.
O diagnóstico quando a saúde está quebrando o mês
Três sinais aparecem antes de qualquer outro: consulta ou exame sendo adiado por causa do momento do mês, remédio comprado parcelado, e coparticipação chegando na fatura como valor que você não reconhece. Se algum deles está acontecendo, o problema quase nunca é falta de disciplina, é falta de envelope. Antes de qualquer conclusão maior, some doze meses de tudo o que a casa gastou com saúde, incluindo farmácia e dentista, e divida por doze. O número costuma ser bem maior do que a mensalidade sozinha, e ver isso escrito é o que permite planejar de verdade. Lembre também que a rede pública existe e é parte legítima da estratégia de muitas famílias.
A mudança de envelope para fazer hoje
Monte dois envelopes: Saúde, mensal, com plano, remédio contínuo e média de coparticipação; e Reserva de Saúde, alimentada com um valor fixo para o que é irregular. Na descrição do primeiro, escreva a data de aniversário do contrato e as próximas mudanças de faixa etária da família. No Envelope Budget você registra cada consulta e cada compra de farmácia na mão, o que dá em poucos meses um histórico real de quanto a saúde custa na sua casa, algo que nenhuma média publicada consegue te dar. E a reserva fica acumulando à vista, o que muda a resposta quando o dentista pergunta se dá para marcar o tratamento.
Dúvidas comuns
Devo guardar para o reajuste todo mês ou esperar ele chegar?
Guarde antes. Como a data é conhecida, dá para começar a separar uma pequena quantia meses antes e chegar no mês do reajuste com o envelope já dimensionado para o valor novo. Não vamos estimar o tamanho do aumento, e você não precisa dessa estimativa para agir: separe um valor que caiba, e se sobrar, o saldo continua no envelope de saúde, onde cedo ou tarde vai ser usado. O que não funciona é descobrir o valor novo pelo débito e tentar absorver a diferença no mesmo mês.
Dentista e óculos ficam no mesmo envelope da saúde?
Se forem valores pequenos e regulares, sim. Se envolverem tratamento longo, aparelho ortodôntico ou troca de lentes, separe em uma Reserva Programada, porque são gastos com data e valor conhecidos que não combinam com um envelope mensal. O critério é o mesmo de todo o site: o que se repete todo mês fica em envelope mensal, o que chega uma vez por ano ou por tratamento fica em reserva. Misturar os dois faz o envelope mensal parecer errado justamente nos meses em que ele estava certo.
Como orçar um procedimento já marcado?
Pergunte antes quanto vai custar de coparticipação ou quanto é o valor particular, por escrito quando possível, e pergunte também sobre exames anteriores e retornos, que costumam ficar de fora da estimativa inicial. Com o número na mão, divida pelos meses que faltam e alimente uma reserva específica até a data. Se não houver meses suficientes, a conversa útil é sobre prazo e forma de pagamento com o próprio prestador, comparando com o que aconteceria se fosse para o cartão. A decisão clínica é do seu médico; a nossa parte é só garantir que o dinheiro exista na data.
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