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Quanto uma família de quatro pessoas gasta de mercado por mês?
Não existe um número correto para família de quatro, e quem publica um raramente diz o que estava dentro dele. Monte o seu com duas fontes. A primeira é a cesta básica do DIEESE, calculada mensalmente para várias capitais: pegue o valor da sua cidade na fonte e multiplique pelos adultos, contando cada criança pequena como cerca de meio adulto. Isso é um piso de comida em casa. A segunda são os seus três últimos meses de cupom, com limpeza, higiene e comer fora retirados. O número final fica entre os dois, e ele muda quando as crianças crescem.
Por que o número que você viu na internet não bate
Quase todo valor que circula como gasto de mercado de uma família de quatro tem um problema de definição. Alguns incluem produtos de limpeza e higiene, outros não. Alguns incluem delivery e padaria, outros chamam isso de lazer. Alguns são de uma capital cara, outros de uma cidade média. E quase nenhum diz a idade das crianças, que é a variável que mais mexe no total, porque um bebê e um adolescente de quinze anos têm custos de alimentação completamente diferentes. Comparar o seu gasto com um número desses não te informa nada, só te deixa culpado ou tranquilo por acaso. O caminho útil é construir o número em vez de procurá-lo, e para isso bastam duas fontes que você consegue em vinte minutos.
Fonte um: a cesta básica da sua capital
O DIEESE publica todo mês o custo de uma cesta básica de alimentos para várias capitais brasileiras, com metodologia aberta. Consulte o valor mais recente da cidade mais próxima de você direto na fonte, porque ele muda mensalmente e a diferença entre capitais é grande. A cesta é calculada para um adulto e cobre só alimentação básica, sem limpeza, sem higiene, sem café da manhã de fim de semana e sem nada que a sua família goste em particular. Para chegar à família, multiplique pelo número de adultos e conte cada criança pequena como aproximadamente meio adulto. Esse ajuste é uma aproximação sua, não um dado do instituto. Trate o resultado como piso: se o seu envelope está abaixo dele, ele não financia a comida que a casa precisa.
Fonte dois: três meses dos seus próprios cupons
Junte as compras dos últimos três meses, incluindo as idas rápidas ao mercado da esquina, que costumam representar mais do que as pessoas imaginam. Risque de cada cupom o que não é comida: limpeza, higiene, fralda, ração, pilha, utensílio. Some o que sobrou e divida por três. Esse é o seu número real de comida em casa, e ele quase sempre surpreende em uma das duas direções. Se ficou muito acima da cesta multiplicada, a diferença não é desperdício automático, é o que a sua família come além do básico, e boa parte dela pode ser deliberada. Se ficou abaixo, verifique se parte da alimentação está saindo do vale-alimentação ou virando delivery, porque comida não desaparece, ela só muda de envelope.
Monte os envelopes: mercado, casa e comer fora
Com o número na mão, separe em três envelopes. Mercado recebe o valor de comida em casa, dividido por quatro e reposto toda semana. Casa e Higiene recebe a reposição, que dá para comprar em quantidade quando o preço está bom e por isso funciona melhor mensal. Comer Fora recebe restaurante, delivery, padaria e lanche, e é o envelope que mais briga por atenção, então deixe-o pequeno e visível. Se a casa recebe vale-refeição ou vale-alimentação, esses saldos entram como envelopes próprios, porque não podem virar poupança nem pagar a conta de luz, e o envelope de dinheiro do mercado passa a ser só a diferença. Somar tudo em um número só é o erro que faz uma família achar que gasta demais com comida quando o problema era outra coisa.
O diagnóstico: o que um envelope de mercado inchado custa
Quando o mercado ocupa espaço demais, o efeito não aparece no mercado. Aparece na Reserva Programada que nunca enche, no material escolar de fevereiro que vira parcelamento, e na troca do pneu que espera mais um mês. Antes de concluir que a família come demais, verifique três coisas: quantas compras pequenas de conveniência apareceram no extrato, quanto do que você chama de mercado é na verdade limpeza e higiene, e quanto do delivery está entrando aí no meio. Na maioria dos orçamentos, corrigir a classificação já resolve metade do problema. A outra metade se resolve com lista feita antes e uma compra grande no atacarejo para o que não estraga, com feira ou sacolão para o hortifruti da semana.
Dúvidas comuns
Fralda, papel higiênico e ração entram no orçamento de mercado?
Compre junto, orce separado. Esses itens têm ritmo de reposição próprio e preço por unidade comparável entre lojas, o que os torna um alvo fácil de compra em quantidade, enquanto comida é decisão semanal. Misturados, o envelope de mercado fica ilegível e você nunca sabe se o mês estourou porque a carne subiu ou porque coincidiram fralda e sabão em pó na mesma semana. Separados, os dois ficam comparáveis mês a mês, e o de casa e higiene revela um padrão claro: ele estoura em ondas, não continuamente.
Uma família de quatro gasta o dobro de uma de duas?
Não. O custo por pessoa cai conforme a casa cresce, porque a compra grande rende mais, sobra menos comida estragada e a mesma panela alimenta mais gente. Duas crianças pequenas comem bem menos que dois adultos, e é por isso que vale contar cada criança pequena como aproximadamente meio adulto ao usar a cesta básica como referência. O que sobe de forma desproporcional é o adolescente, que costuma comer como adulto e mais um pouco. Refaça a conta a cada ano ou dois, porque essa é uma das poucas linhas do orçamento que cresce sozinha com o tempo.
De quanto em quanto tempo repor o envelope de mercado?
Toda semana. Um valor mensal esconde o desvio até o dia vinte, quando já não dá para corrigir sem sofrimento, enquanto quatro valores semanais mostram o problema no primeiro domingo e permitem um ajuste pequeno. Se a sua rotina é uma compra grande no começo do mês mais complementos, mantenha o envelope semanal mesmo assim e deixe o saldo acumular até o dia da compra grande. O objetivo não é comprar toda semana, é decidir toda semana.
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