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Quanto eu deveria gastar com luz, água e gás?

Como faixa de planejamento, luz, água, esgoto e gás costumam ser tratados como algo entre 5% e 10% do salário líquido, com casas grandes e chuveiro elétrico usado por muita gente puxando para cima. O movimento importante, porém, não é a porcentagem: é quebrar a conta em partes para enxergar qual delas se mexeu. E encha o envelope com o total dos últimos doze meses dividido por doze, e não com o valor da conta deste mês, porque a energia é reprecificada pela bandeira tarifária independentemente do seu consumo e o mês barato precisa financiar o mês caro.

Quebre a conta nas partes que ela realmente tem

Contas de casa não são uma despesa, são quatro ou cinco com comportamentos diferentes. A energia varia com o consumo e também com a bandeira tarifária, que muda o preço do quilowatt-hora de um mês para o outro sem você ter feito nada. A água quase sempre vem acompanhada da cobrança de esgoto, que na maior parte das cidades é calculada como um percentual do volume de água consumido, então economizar água reduz as duas linhas ao mesmo tempo. O gás pode ser encanado, com conta mensal, ou de botijão, que é uma compra irregular a cada dois ou três meses. Em apartamento, parte disso pode já estar dentro do condomínio. Antes de julgar o total, descubra o que você paga separado e o que já está embutido.

A faixa de 5% a 10% e o que a movimenta

Tratar o conjunto como algo entre 5% e 10% do líquido é uma convenção de planejamento útil para perceber que você está muito fora, não uma média medida de casas brasileiras. Empurram para cima: chuveiro elétrico usado por várias pessoas por dia, ar-condicionado no verão, casa com mais cômodos, geladeira e máquina antigas, e um mês de bandeira mais cara. Puxam para baixo: apartamento pequeno, água coletiva já rateada no condomínio, chuveiro em temperatura mais baixa e banho mais curto. Vale saber onde você está na faixa, mas não vale se comparar demais: quem mora em cidade quente com ar-condicionado ligado à noite tem outra estrutura de custo, e a resposta útil é orçar o que a sua casa realmente consome.

Orce pelo total do ano dividido por doze

O erro clássico é encher o envelope com o valor da conta que acabou de chegar. Aí vem o verão, ou a bandeira muda, e a conta chega mais alta em um mês que não tinha folga nenhuma. Junte doze meses de conta de luz, doze de água e o que você gastou de gás no ano, some tudo e divida por doze. Encha o envelope com esse valor fixo todo mês. Nos meses baratos sobra saldo, e esse saldo é exatamente o que paga o mês caro sem drama e sem cartão. Se você não tem doze meses de histórico porque acabou de se mudar, use o que tiver e encha o envelope pelo pior mês que você já viu, corrigindo depois. É melhor sobrar do que descobrir em janeiro.

O diagnóstico: qual linha é o problema de verdade

Quando o total sobe, quase todo mundo culpa a energia, e às vezes tem razão pelo motivo errado. Pegue as três últimas contas de luz e compare o consumo em quilowatt-hora, não o valor em reais. Se o consumo está igual e o valor subiu, o que mudou foi o preço, e nesse caso não existe hábito para corrigir, existe envelope para engordar. Se o consumo subiu, procure a causa: alguém em casa o dia inteiro, chuveiro no inverno, ar-condicionado novo, geladeira com borracha ruim. Faça o mesmo com a água olhando o volume em metros cúbicos, lembrando que o esgoto acompanha. Essa separação entre preço e consumo é a única forma de saber se o problema tem solução comportamental ou orçamentária.

A mudança de envelope para fazer esta semana

Crie um envelope Contas de Casa e encha com o total anual dividido por doze. Se o gás da sua casa é de botijão, tire ele daqui e coloque nas Reservas Programadas, porque é uma compra que acontece a cada dois ou três meses e não combina com um envelope mensal. Anote na descrição do envelope o consumo médio em quilowatt-hora e em metros cúbicos, para ter contra o que comparar na próxima conta. No Envelope Budget você registra cada conta na mão, e é justamente esse gesto de digitar o valor que faz você notar uma alta de dez por cento que o débito automático esconderia por meses. Deixe o saldo acumulado visível e resista à vontade de gastar a sobra do mês barato.

Dúvidas comuns

Internet entra no envelope de contas de casa?

Prefira separar. Internet e celular são serviços contratados com valor fixo, contrato de fidelidade e promoção que vence, e o trabalho útil sobre eles é uma renegociação por ano, não atenção mensal. Luz, água e gás variam todo mês e por isso precisam de um envelope que absorva variação. Juntando os dois, um serviço que nunca muda dilui a variação do que muda, e você deixa de enxergar o mês em que a energia disparou. Dois envelopes, e o de conectividade com a data de vencimento da promoção anotada.

Acabei de me mudar e não tenho histórico. Como orço?

Pergunte a quem morava ali, se for possível, e peça a média dos últimos doze meses à concessionária, que costuma constar na própria conta. Se não conseguir nada, encha o envelope generosamente no começo, pelo valor que você imagina como o pior mês, e corrija para baixo depois de três ou quatro contas. Errar para cima custa um saldo parado por alguns meses; errar para baixo custa uma conta atrasada com multa. Anote o consumo das primeiras contas para construir o seu próprio histórico desde já.

Minha conta de luz dobrou e eu não mudei nada. O que aconteceu?

Compare o consumo em quilowatt-hora das últimas contas antes de qualquer coisa. Se o consumo está praticamente igual, o que mudou foi o preço, e a energia é reprecificada de acordo com a bandeira tarifária vigente, que muda ao longo do ano e não depende de você. Nesse caso o ajuste é no envelope, não no comportamento. Se o consumo subiu de verdade, procure a mudança concreta: mais gente em casa, chuveiro no inverno, aparelho novo, ou algum equipamento com defeito. E confira se a leitura foi real ou estimada, porque uma leitura estimada seguida de uma real produz exatamente esse efeito.

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