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Quanto da minha renda pode ir para dívidas?

Duas contas diferentes se confundem aqui. O banco calcula comprometimento de renda sobre a renda bruta e trabalha com um teto próprio, que costuma ficar em torno de 30% e existe para limitar o risco dele. Para o seu orçamento, use o líquido e conte tudo: parcelas do cartão já contratadas, empréstimo pessoal, consignado, crediário, rotativo e financiamentos. De 15% a 20% do líquido para dívidas fora da moradia é um teto de trabalho razoável. Acima disso, outros envelopes começam a falhar, normalmente mercado e conserto, e você acaba se endividando para cobrir o endividamento.

As duas contas que as pessoas misturam

A primeira é a que o banco faz para decidir se te empresta: comprometimento de renda, calculado sobre a renda bruta comprovada, com um teto interno que costuma girar em torno de 30% e varia de instituição para instituição. Ela serve para proteger a carteira do credor. A segunda é a sua, e usa o líquido, aquele valor que efetivamente cai na conta depois de todos os descontos. Passar no teste do banco não significa nada sobre o seu conforto, porque o cálculo dele ignora escola, plano de saúde, e principalmente as parcelas sem juros que você já comprometeu nos próximos meses e que muitas vezes nem aparecem como dívida em lugar nenhum. Faça a segunda conta, sempre, antes de assinar qualquer coisa.

O número que importa para o seu orçamento

Some tudo o que sai por mês para pagar coisas já compradas: parcelas do cartão, crediário, empréstimo pessoal, consignado, financiamento do carro, e o que estiver rolando no rotativo ou em parcelamento de fatura. Deixe a moradia de fora dessa conta e trate separado. Divida pelo líquido. Como teto de trabalho, e não como descoberta de pesquisa, procure ficar entre 15% e 20%. Em um líquido de 4.000 reais, isso são 600 a 800 por mês. O detalhe local que quase ninguém inclui é o mais importante: parcelamento sem juros de compras passadas é dívida, mesmo sem juros, porque ele já vendeu uma parte da sua renda futura e reduz o que você pode decidir nos próximos meses.

O que empurra você para cima ou para baixo

Sobe quando o carro é financiado, quando houve uma emergência recente que foi parcelada, quando um mês apertado virou rotativo, e quando compras grandes em dez ou doze vezes se acumulam sem ninguém somar o total. Cai com prazos que terminam, com renda que sobe, e com o hábito de olhar o total comprometido antes de aceitar mais um parcelamento. Fatores estruturais também contam: quem sustenta a casa sozinho tem menos folga para a mesma fração. O objetivo de calcular o número não é se envergonhar dele, é saber qual alavanca existe. Quando a fração está alta, as alavancas reais são parar de criar parcelas novas e aumentar o valor destinado à mais cara, nessa ordem.

O diagnóstico: qual envelope falha primeiro

Dívida em excesso não aparece como dívida, porque parcela é paga primeiro e no débito automático. Ela aparece como mercado que acaba na terceira semana, conserto que vira novo parcelamento, IPVA de janeiro que não tem reserva, e uma poupança que não sai do lugar há um ano. Esse é o ciclo característico: um gasto imprevisto encontra o orçamento sem reserva, vira parcela, a parcela reduz a folga do mês seguinte, e o próximo imprevisto encontra menos folga ainda. Reconhecer o ciclo importa porque a saída não é cortar mercado. É interromper a criação de parcelas novas por um período definido e reconstruir uma reserva pequena, mesmo que isso pareça lento demais no começo.

O que esta página não vai fazer

Não vamos dizer qual dívida renegociar, nem sugerir empréstimo, portabilidade, consignado ou qualquer produto para trocar uma dívida por outra. Isso é escolha de produto financeiro, depende das suas condições específicas e não cabe a um site de orçamento. O que cabe aqui é a parte orçamentária, que é a que costuma faltar: descobrir quanto da sua renda já está comprometida, decidir quanto por mês você consegue destinar às dívidas de forma sustentável, e testar qualquer proposta contra esse número antes de aceitar. Acordo com parcela que não cabe no orçamento é a forma mais comum de piorar a situação, porque ele quebra e deixa você com menos margem do que antes.

A mudança de envelope para fazer hoje

Liste todas as dívidas em um papel: credor, valor da parcela, quantas parcelas faltam e o total que ainda falta pagar. Some as parcelas mensais e divida pelo líquido. Agora crie um envelope Dívidas com esse valor e encha no dia do salário, antes de qualquer envelope discricionário. Se houver dinheiro além do mínimo, destine tudo à mais cara e mantenha as outras no valor contratado. No Envelope Budget você vê esse envelope descendo mês a mês e pode criar uma meta com o total que falta, acompanhada no widget da tela de início. Ver o total encolher é o que sustenta um plano de dívida por mais de dois meses.

Dúvidas comuns

A parcela do financiamento do imóvel entra nos 15% a 20%?

Não, trate separado. Moradia tem o próprio teto e a própria lógica, e misturar as duas coisas esconde qual delas é o problema. Some a parcela do imóvel, o condomínio e o IPTU em uma conta de moradia, e todas as outras dívidas em outra. Depois olhe as duas frações juntas em relação ao líquido: se a soma das duas passa de metade do que entra, o mês vai ser apertado independentemente do que você fizer com mercado e lazer, porque não sobra gasto variável suficiente para cortar.

Pagar o mínimo da fatura resolve?

Pagar o mínimo mantém o cartão em dia e evita o atraso, mas joga o restante para o crédito rotativo, que é normalmente a forma mais cara de dívida disponível para uma pessoa física no Brasil. Não vamos citar taxas, e você não precisa delas para tomar a decisão: basta comparar, na sua própria fatura, quanto você devia no mês passado e quanto deve agora depois de ter pago o mínimo. Se a dívida não está encolhendo de forma perceptível, o mínimo não é um plano, é uma pausa. O plano começa quando você para de adicionar parcelas novas.

Como contar as parcelas sem juros no comprometimento?

Conte pelo valor da parcela em cada mês em que ela vai cair, e some também o total que ainda falta. As duas visões respondem perguntas diferentes. A parcela mensal te diz se o próximo mês cabe. O total pendente te diz quanto da sua renda dos próximos meses já foi vendida, e é esse número que costuma assustar e informar. Antes de aceitar mais um parcelamento, olhe quanto já está comprometido em cada um dos próximos seis meses. Se algum deles já está cheio, a compra não é sem juros, é sem espaço.

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