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Quanto eu deveria orçar por ano para viagens?
Não defina viagem como porcentagem da renda. Liste todas as viagens que você realmente pretende fazer nos próximos doze meses, precifique quatro componentes de cada uma — transporte, hospedagem, comida acima do que você gastaria em casa, e passeios com deslocamento local — some tudo e divida pelo número de meses até a primeira. Esse valor mensal é o seu envelope de viagem. Se não há nenhuma viagem específica em mente, 5% do líquido serve como teto de sanidade para um valor provisório, e não como meta a ser atingida.
Por que porcentagem é a ferramenta errada aqui
Porcentagem funciona bem para despesas contínuas, como comida e transporte, em que existe um gasto todo mês e a questão é o tamanho dele. Viagem não é assim: ela é um evento com data, com custo conhecido de antemão e com zero de gasto na maior parte dos meses. Definir cinco por cento da renda para viagem produz um número desligado do que você realmente pretende fazer, alto demais em um ano sem planos e baixo demais no ano do casamento do irmão em outro estado. A pergunta certa não é quanto uma pessoa deve gastar viajando, é quanto as suas viagens vão custar e em quantos meses você precisa juntar isso.
Os quatro componentes de cada viagem
Precifique separadamente, porque somar de cabeça sempre subestima. Transporte é passagem, ou combustível mais pedágio, mais o deslocamento até o aeroporto ou rodoviária. Hospedagem é o total das noites, com taxas. Comida é apenas a diferença: o que você vai gastar comendo fora menos o que gastaria em casa naqueles dias, já que a segunda parte já está no seu orçamento normal. Passeios e transporte local incluem ingressos, aplicativo, aluguel de carro e o que a viagem exige em compras pequenas. Some os quatro e acrescente uma margem para o que não dá para prever. A margem não é pessimismo, é o que impede a viagem de terminar com uma fatura em dezembro.
Transformando o total em um valor mensal
Some as viagens de todos os próximos doze meses, olhe a data da primeira e divida o custo dela pelo número de meses que faltam. Repita para as demais e some as contribuições. Se o resultado não couber, você acabou de descobrir isso com meses de antecedência, quando ainda dá para mudar de destino, de data ou de padrão, em vez de descobrir na semana da viagem, quando a única alternativa é o cartão. Viagem é uma das poucas despesas grandes cujo tamanho é totalmente negociável antes de acontecer, e essa negociação só é possível se a conta for feita cedo. Depois de reservada, ela vira compromisso como qualquer outro.
Se você não tem viagem planejada
Ainda assim vale ter o envelope, com um valor provisório. Sem ele, o convite chega, a passagem promocional aparece, e a decisão é tomada com o cartão porque não existe nada guardado. Com um valor pequeno acumulando, você chega ao convite com uma resposta possível. Use cinco por cento do líquido como teto de sanidade para esse provisório, não como alvo: se você não pretende viajar, guardar menos e direcionar o resto para outra meta é melhor do que criar uma reserva de viagem inflada que acaba sendo usada para outra coisa. Assim que uma viagem ganhar data, refaça o cálculo pelos quatro componentes e ajuste o valor mensal.
O diagnóstico: a viagem de julho que vira dívida de outubro
O padrão é conhecido. A viagem foi ótima, o parcelamento parecia confortável, e três meses depois o orçamento está apertado sem um motivo aparente, porque parte da renda de outubro já tinha sido vendida em julho. O problema não foi a viagem, foi a ordem: pagar depois transforma um gasto discricionário em gasto fixo dos meses seguintes, e é aí que a folga desaparece. A correção é sempre a mesma e é chata de ouvir: comece a juntar antes, mesmo que isso signifique adiar a viagem em alguns meses ou reduzir o padrão. Uma viagem paga antes custa menos e produz um outubro normal.
A mudança de envelope para fazer hoje
Crie uma Reserva de Viagem e alimente com o valor mensal que a sua lista produziu. Se houver mais de uma viagem, crie uma meta para cada uma com valor alvo e data, porque uma reserva única para três viagens não te diz se a primeira já está paga. No Envelope Budget cada viagem pode ser uma meta de poupança com progresso visível, e dá para colocar a imagem do destino no quadro de visualização, o que soa supérfluo e não é: uma reserva com nome e imagem é bem menos provável de ser resgatada para outra coisa em um mês qualquer.
Dúvidas comuns
Viagem sai da poupança ou de um envelope próprio?
De um envelope próprio, sempre. Poupança e reserva de emergência existem para o que você não escolheu; viagem é uma despesa escolhida com data conhecida, e por isso pertence a uma reserva programada. Misturar as duas produz dois estragos: você usa a reserva de emergência para viajar e fica sem proteção, ou não viaja porque acha que está tirando de algo importante. Separadas, cada uma faz o seu trabalho e a decisão de viajar deixa de carregar culpa, porque o dinheiro dela já estava destinado a isso desde o começo.
Como orçar uma viagem sem data definida?
Precifique mesmo assim, com um destino provável e uma época provável, e comece a juntar. Um alvo aproximado com data aproximada funciona muito melhor que nenhum alvo, porque o valor mensal só existe se houver um número de meses. Quando a data se confirmar, refaça a conta com os preços reais e ajuste a contribuição. Se a viagem não acontecer, o saldo continua sendo seu e vira a próxima meta, então não existe risco em começar cedo com uma estimativa.
Visitar a família conta como viagem?
Conta, e é justamente a viagem que mais escapa do orçamento, porque não parece uma. Passagem ou combustível, pedágio, presente para quem recebe, comida na estrada e os dias em que a rotina de gasto muda somam um valor real. Coloque as visitas previsíveis do ano, especialmente as de fim de ano, na mesma reserva, com os quatro componentes precificados. Hospedagem costuma ser zero, o que já reduz bastante o total e torna a conta mais fácil de fechar.
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