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Quando os fixos passam dos 50%, refaça a divisão em vez de desistir

Se os seus custos fixos passam de 50% do líquido, mantenha a estrutura e mude a razão: 65/20/15 ou 70/20/10 no lugar de 50/30/20. Com 3.000 reais líquidos, o 65/20/15 dá 1.950 para fixos e essenciais, 600 para tudo que é discricionário e 450 para poupança e dívida. Você tem três alavancas, mas só aumentar a fatia das necessidades funciona neste mês, e a poupança deve ficar pequena, não zerada.

O teto estoura para muita gente

Some aluguel, condomínio, IPTU parcelado, contas de casa, transporte, plano de saúde e mercado, compare com metade do seu líquido, e é completamente normal que o total passe bem disso. O condomínio é a linha que a regra original nem enxerga: para quem mora em apartamento ele funciona como um segundo aluguel, sobe por votação em assembleia e não negocia com proporção bonita inventada como recurso didático. A conclusão errada a tirar é que orçamento não se aplica a você. A regra 50/30/20 tem duas partes, uma estrutura e uma razão, e só a razão quebrou. A estrutura, que é dividir o dinheiro entre obrigação fixa, gasto discricionário e progresso antes de gastar qualquer coisa, vale em qualquer renda. Mantenha a estrutura e refaça a razão em cima dos seus fixos reais.

Três alavancas, e só uma funciona neste mês

Você pode aumentar a fatia das necessidades e decidir se desejos ou poupança absorve a diferença. Pode cortar um custo fixo, o que normalmente significa dividir moradia com alguém, morar mais longe, ficar sem carro ou renegociar contratos recorrentes na renovação. Ou pode aumentar a renda. As três são legítimas, mas seja honesto com os prazos. Cortar custo fixo está a um fim de contrato de distância, e aumentar renda está a uma seleção ou a um projeto paralelo de distância. Nenhuma das duas muda o que acontece no dia 15 deste mês. Aumentar a fatia das necessidades é a única alavanca que opera hoje, então comece por ela e trate as outras duas como projetos separados, com prazo próprio, e não como o plano deste mês.

A reconstrução em 65/20/15, com números

Sessenta e cinco por cento para necessidades, vinte para desejos e quinze para poupança e pagamento extra de dívida. Com 3.000 reais líquidos por mês, isso dá 1.950, 600 e 450. Com 2.400, dá 1.560, 480 e 360. Comece escrevendo o total real dos fixos e só depois veja em qual razão ele cabe, em vez de escolher a razão primeiro. Se aluguel mais condomínio mais contas de casa somam 1.900 em cima de 3.000 de líquido, o 65/20/15 é mais ou menos o formato honesto e você acaba de descobrir que o seu gasto discricionário precisa caber em 600. Esse número pode ser desconfortável, mas número verdadeiro e desconfortável é plano; número confortável e falso é só cheque especial adiado.

A versão 70/20/10 e o piso da poupança

Se os fixos apertam ainda mais, o 70/20/10 dá 2.100, 600 e 300 sobre 3.000 de líquido. Repare no que se mexeu: as necessidades tomaram o aumento da poupança, e não dos desejos, e isso é de propósito. Cortar o discricionário para quase nada produz um plano que você vai quebrar, e quebrar costuma custar mais caro do que o envelope de lazer custava. Mas não deixe a poupança em zero como configuração permanente. Um envelope de poupança pequeno, mesmo crescendo devagar, é o que absorve o próximo conserto ou a próxima parcela do IPVA, e sem ele todo gasto não planejado vira saldo no cartão. Poupança zero por um período com data para acabar é decisão. Poupança zero por tempo indeterminado é como um mês apertado vira uma década apertada.

O desenho de envelopes para um orçamento espremido

Um envelope de Contas Fixas travado, cheio primeiro no dia do pagamento, cobrindo aluguel, condomínio, contas de casa, plano de saúde, celular e os mínimos de dívida. Ele enche antes de tudo e você não gasta dele. Depois divida o que sobrou em, no máximo, quatro ou cinco envelopes variáveis: Mercado, Transporte, Pessoal, Poupança e uma Folga. Um orçamento espremido não sustenta doze categorias, porque o custo de manutenção é o mesmo com valores grandes ou pequenos, e o retorno do detalhe encolhe junto com o total discricionário. No Envelope Budget: Controle de Contas, o envelope de Contas Fixas é o primeiro que você enche e nunca toca, e o resto é o que o widget te mostra na tela de início.

Dúvidas comuns

Devo parar de guardar dinheiro até a situação do aluguel mudar?

Não de forma permanente. Um envelope de poupança com valor pequeno é o que impede um gasto não planejado de virar um saldo sobre o qual você paga juros, e esse juro deixa o mês seguinte mais apertado ainda. Se precisar suspender a poupança, dê à suspensão uma data e um gatilho, como quando o décimo terceiro cair ou quando o contrato atual acabar. A versão sem prazo é a que vira permanente sem ninguém perceber, e você só vai notar quando algo quebrar e não houver nada atrás.

Ainda é um orçamento se eu mudar as porcentagens?

É. As porcentagens nunca foram o mecanismo. O mecanismo é você decidir para onde o dinheiro vai antes de gastar, e o gasto discricionário ter um teto que você consegue ver. Um 70/20/10 que você segue é um orçamento em funcionamento, e um 50/30/20 que você abandona na segunda semana não é. O que não se deve fazer é mudar as porcentagens todo mês para bater com o que você por acaso gastou, porque nesse ponto a razão virou descrição e deixou de ser plano.

O que conta como custo fixo para travar num envelope só?

Tudo que tem data de vencimento e valor que você não muda neste mês: aluguel ou financiamento, condomínio, contas de casa, plano de saúde, celular, internet, mínimos de dívida, parcelas já contratadas e qualquer contrato recorrente ao qual você está preso. Mercado e transporte não são fixos mesmo parecendo inevitáveis, porque o valor é de fato variável e você quer o retorno da informação. Manter os fixos de verdade num envelope cheio primeiro faz o dinheiro deles sumir do seu saldo gastável no instante em que ele entra, que é exatamente o objetivo.

Quantos envelopes um orçamento apertado deve ter?

Quatro ou cinco envelopes variáveis, mais o envelope travado de Contas Fixas. Quando o dinheiro discricionário é pouco, dividir em muitos envelopes pequenos faz vários deles secarem cedo, o que produz remanejamento constante e dá a sensação de que o sistema inteiro está falhando. Menos envelopes, e maiores, deixam espaço para escolhas reais dentro deles. Se mais para a frente você descobrir que um envelope está escondendo algo que precisa ver, divida só aquele e deixe o resto quieto.

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