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Quanto eu deveria gastar com roupa por mês?

Roupa costuma ser tratada como algo entre 3% e 5% do salário líquido, mas quase ninguém gasta isso de forma uniforme, porque casaco, tênis e roupa de criança chegam em blocos. Trate como um número anual financiado mês a mês em uma reserva que acumula, e não como um limite mensal que sobra em março e falta em maio. Separe reposição, que é tênis, roupa de trabalho e criança que cresceu, de compra por vontade. E registre a compra no momento em que o prazo de troca acaba, não quando a fatura chega.

Um número anual, pago todo mês

O erro estrutural com roupa é orçar por mês uma despesa que acontece por estação. Em três meses seguidos você não compra nada e conclui que o envelope está grande demais, aí realoca o dinheiro; no quarto mês precisa de tênis, uniforme e casaco na mesma semana e vai para o cartão. A correção é tratar roupa como reserva e não como envelope de consumo: defina um valor anual, divida por doze, e deixe o saldo acumular sem tocar. Quando a necessidade aparecer, o dinheiro já está lá e a compra não compete com o mercado daquele mês. É a mesma lógica do IPVA, aplicada a uma despesa que parece mensal e não é.

A faixa de 3% a 5% e o que a movimenta

Como convenção de planejamento, entre três e cinco por cento do líquido é um ponto de partida usável. Em 4.000 reais líquidos, isso são 120 a 200 por mês, ou algo entre 1.400 e 2.400 no ano para a casa inteira. Sobe com crianças em fase de crescimento, com trabalho que exige aparência específica, com clima que exige duas estações de roupa, e com uniforme escolar. Cai quando o guarda-roupa está estável e a compra é de reposição pontual. Se a sua fatia está bem acima da faixa por vários meses seguidos, a pergunta útil não é sobre disciplina, é sobre qual das duas categorias abaixo está crescendo, porque elas exigem respostas completamente diferentes.

Reposição não é compra por vontade

Duas coisas muito diferentes moram no mesmo envelope. Reposição é o tênis que furou, a calça de trabalho que rasgou, o uniforme que não serve mais e a roupa da criança que cresceu dois números. Isso é obrigatório, previsível no total e não deve depender de humor nem de promoção. Compra por vontade é o resto, e é discricionária como lazer. Separar as duas resolve duas confusões ao mesmo tempo: você para de se sentir culpado por comprar um tênis necessário, e para de justificar uma compra por impulso chamando ela de necessidade. Na prática, dois envelopes, com a reposição acumulando e a compra por vontade recebendo um valor pequeno e visível.

O problema do prazo de troca

Roupa é a categoria com maior distância entre comprar e ficar com. Uma parte do que sai da loja volta, e se você registra a compra no orçamento só quando a fatura chega, passa semanas com um número errado e depois tem que desfazer lançamentos. Faça o contrário: registre no dia da compra pelo valor total e, se devolver, registre a devolução. Assim o envelope reflete o compromisso enquanto ele existe, que é o único jeito de saber se ainda dá para comprar mais alguma coisa. Vale também uma regra pessoal simples para peças caras: deixar na sacola até o fim do prazo de troca antes de tirar a etiqueta. O prazo é uma ferramenta de orçamento gratuita.

A mudança de envelope para fazer esta semana

Crie uma Reserva Programada Roupas com um duodécimo do seu valor anual e deixe acumular. Se houver crianças, crie uma segunda reserva só para elas, porque o ritmo é diferente e mais rápido. Anote na descrição quando vem o uniforme escolar e quando cada pessoa da casa costuma precisar de tênis, para que o pico tenha data. No Envelope Budget a reserva fica acumulando à vista, e o registro manual faz você perceber o valor real de uma compra parcelada, que é o total e não a parcela. Antes de aceitar qualquer parcelamento de roupa, veja se o saldo da reserva já cobre o valor à vista.

Dúvidas comuns

Quanto orçar para roupa de criança?

Mais do que para adulto e com ritmo próprio, porque o gatilho não é vontade, é crescimento. Use o histórico do último ano se tiver, ou estime por peça: tênis, uniforme, roupa de estação e as trocas de numeração que acontecem sozinhas. Divida por doze e coloque em uma reserva separada da roupa dos adultos, porque misturar faz parecer que a família gasta demais quando na verdade uma criança cresceu. Roupa usada, troca entre famílias e compra fora de estação reduzem bastante esse número sem nenhum custo de qualidade.

Roupa de trabalho sai do envelope de roupas?

Sai, mas classifique como reposição e não como compra por vontade. Se o seu trabalho exige um tipo específico de roupa, calçado ou uniforme, esse gasto é tão obrigatório quanto transporte, e tratá-lo como discricionário faz você adiar até quebrar. Anote separadamente na descrição do envelope quanto do seu gasto anual é exigência de trabalho. Se for uma parte grande, isso é uma informação real sobre o custo do seu emprego, e vale saber ao comparar propostas.

Como encaixar uma compra grande de estação no orçamento?

Ela deve sair da reserva acumulada, e é justamente para isso que a reserva existe. Duas ou três semanas antes, olhe o saldo e defina o teto da compra antes de sair de casa, com uma lista do que é reposição real. Se o saldo não cobre tudo, compre primeiro o que é reposição e adie o resto para o próximo acúmulo, em vez de parcelar. Parcelar roupa é a forma mais silenciosa de transformar uma despesa sazonal em despesa fixa dos próximos dez meses.

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