Como montar uma reserva de emergência de 3 meses
Some apenas o seu custo essencial mensal, que é moradia com condomínio, contas de casa, mercado, transporte, plano de saúde e o mínimo das dívidas, e multiplique por três. Se o essencial é R$3.000, a meta é R$9.000: cerca de R$750 por mês em 12 meses, R$500 por mês em 18 meses, ou R$375 por mês em 24 meses. Escolha o prazo cujo valor mensal você consegue pagar todas as vezes, e não o prazo mais rápido.
Faça a aritmética antes de qualquer outra coisa
Escreva as contas que chegam quer você preste atenção ou não: aluguel ou financiamento, condomínio, IPTU parcelado se for o seu caso, luz, água, gás, internet, celular, plano de saúde, transporte para trabalhar, um piso realista de mercado e o mínimo de cada dívida. Some. Multiplique por três. Esse é o número inteiro. Não inclua restaurante, viagem, lazer nem presentes, porque numa interrupção de renda essas coisas param na primeira semana e incluí-las só torna a meta grande demais para começar. Se o essencial dá R$3.000, a meta é R$9.000. Se dá R$4.500, é R$13.500. O número muda de casa para casa porque o aluguel muda, e é exatamente por isso que valor redondo copiado da internet não serve.
Escolha o prazo pelo valor mensal, não pela data de chegada
Com meta de R$9.000, doze meses pedem cerca de R$750 por mês, dezoito pedem R$500 e vinte e quatro pedem R$375. Se você recebe em duas partes no mês, divida por dois: são cerca de R$375, R$250 ou R$188 em cada entrada. A escolha certa não é a mais rápida, é a maior que você consegue cumprir em todos os meses do ano, inclusive naquele em que o IPVA e a matrícula chegam juntos. Um plano de R$750 que quebra em março e volta em junho entrega menos que um plano de R$375 que nunca para, e entrega muito menos confiança, que é o combustível de uma meta de dois anos.
Use três marcos em vez de um número distante
Nove mil reais em dois anos é abstrato demais para motivar alguém em uma terça-feira qualquer. Quebre em três marcos e trate cada um como meta concluída. O primeiro é R$1.000, que resolve o susto pequeno e chega em poucas semanas. O segundo é um mês inteiro de custo essencial, no exemplo R$3.000, e esse marco muda materialmente o que uma perda de renda significa. O terceiro é a meta completa. Marcar assim tem um efeito prático: quando você usa parte da reserva, sabe exatamente para qual marco está voltando, em vez de sentir que perdeu tudo. Progresso medido em degraus sobrevive a interrupções; progresso medido em um número só, não.
De onde o dinheiro realmente sai
Em prazos longos, o dinheiro raramente sai de economia miúda diária. Sai de três lugares. O primeiro é o corte estrutural que acontece uma vez e vale todo mês: plano de celular, internet, uma assinatura, um trajeto. O segundo é o dinheiro previsível que entra fora do salário, principalmente o décimo terceiro, a PLR quando existe, a restituição e as férias. Esses são os aceleradores mais fortes que o calendário brasileiro oferece, e só funcionam se receberem destino antes de cair na conta. O terceiro é o dinheiro que deixa de vazar quando você passa a registrar cada gasto, sobretudo os Pix pequenos que não aparecem no extrato com nome de loja e por isso não são lembrados.
O que faz essa meta falhar
Duas coisas, e nenhuma delas é falta de disciplina. A primeira é misturar reserva de emergência com despesa programada: se IPVA, seguro, matrícula e presentes de fim de ano não têm envelope próprio, eles saem da reserva, e em janeiro você está de volta ao começo sem ter cometido nenhum erro visível. A segunda é a parcela nova. Uma compra em dez vezes reduz o dinheiro disponível de dez meses futuros, e como ela não aparece como uma decisão sobre a reserva, o plano encolhe sem ninguém perceber. Antes de parcelar qualquer coisa, olhe a meta e pergunte de quantos meses de progresso aquela compra está saindo.
A montagem dos envelopes
Crie um envelope Emergência com a meta calculada e a data escolhida, e encha na primeira entrada de dinheiro do mês. Ao lado dele, crie as reservas programadas do seu calendário: IPVA e licenciamento, seguro, escola em janeiro, presentes de fim de ano. São esses envelopes que protegem a meta de virar caixa geral. Escreva no envelope da reserva o que conta como saque e a regra de repor antes de retomar outras metas. No Envelope Budget a barra de progresso com data deixa claro se você está adiantado ou atrasado, e o widget da tela bloqueada mantém o número por perto sem exigir que você abra o app.
Dúvidas comuns
Pago dívida ou monto a reserva de 3 meses primeiro?
Quase nunca é uma escolha entre extremos. A ordem que costuma funcionar é: primeiro uma reserva inicial pequena, algo em torno de R$1.000, para o próximo imprevisto não voltar para o cartão; depois foco na dívida mais cara, que para a maioria das casas é o rotativo do cartão ou o cheque especial; e só depois a construção dos três meses. Montar três meses inteiros enquanto uma dívida cara roda significa pagar caro para manter dinheiro parado. Não indicamos produtos de renegociação nem dizemos qual proposta aceitar: só o passo de orçamento, que é descobrir quanto cabe por mês antes de assinar qualquer acordo.
Conto o meu líquido inteiro ao calcular?
Não. A conta é sobre o custo essencial, não sobre a renda. Se você ganha R$6.000 líquidos e o seu essencial é R$3.000, a meta de três meses é R$9.000 e não R$18.000. Calcular sobre a renda infla a meta em casas que gastam bem menos do que ganham e engana no sentido contrário quem gasta tudo o que recebe. Some as contas que continuariam existindo se a renda parasse amanhã, e é isso. Se você tem dúvida sobre uma linha, o teste é simples: numa interrupção de renda, você cancelaria isso na primeira semana? Se sim, fica de fora.
Quanto guardar por mês para uma reserva de 3 meses?
Divida a meta pelo número de meses do prazo escolhido. Com R$9.000 de meta, são cerca de R$750 por mês em doze meses, R$500 em dezoito e R$375 em vinte e quatro. Se o seu dinheiro chega em duas partes, divida esse valor por dois e trate cada entrada como um depósito. O teste do valor certo não é se ele parece ambicioso, é se você conseguiria pagá-lo no pior mês recente do seu ano. Escolha esse valor e trate como conta fixa, não como sobra.
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