Como juntar dinheiro para uma viagem, mês a mês
Some o total da viagem antes de montar o plano: transporte, mais diária de hospedagem vezes noites, mais um valor por pessoa por dia de alimentação e passeios vezes dias, mais transporte local, mais 15% para o que você esqueceu. Depois divida pelos meses até a data. Uma viagem de R$6.000 daqui a oito meses pede R$750 por mês; a mesma viagem daqui a quatro meses pede R$1.500 por mês; em doze meses, R$500. O prazo é a única alavanca que muda o valor mensal sem mudar a viagem.
Monte o total antes de montar o plano
Quase toda viagem parcelada começou com um plano feito em cima do preço da passagem. Some tudo: transporte de ida e volta, hospedagem calculada como diária vezes noites, alimentação e passeios como um valor por pessoa por dia vezes o número de dias, transporte no destino, e 15% em cima do total para o que não estava na lista. Se for viagem internacional, lembre que o preço em reais depende do câmbio no dia e das tarifas do meio de pagamento que você usar, então confira o custo total do seu meio de pagamento e trabalhe com uma folga maior. O total honesto costuma ser bem diferente da conversa inicial.
O número mensal é o que decide
Divida o total pelos meses até a data. R$6.000 em oito meses são R$750 por mês, ou R$375 em cada uma das duas entradas de dinheiro do mês. Em quatro meses, R$1.500 por mês. Em doze meses, R$500. É a mesma viagem, e a única coisa que muda é quando você começou. Escrever os três cenários lado a lado costuma decidir a questão sozinho, porque a diferença entre R$500 e R$1.500 é a diferença entre uma meta que convive com o seu mês e uma que compete com o mercado. Se o número não cabe em nenhum prazo aceitável, a viagem precisa ser menor, e é melhor saber agora.
A mesma viagem com 4, 8 e 12 meses de antecedência
Vale insistir nesse ponto porque ele é a lição central. Antecedência não é organização por estética: ela é o único fator que muda o valor mensal sem tocar em nada da viagem. Uma viagem planejada com um ano custa por mês um terço do que custa quando planejada com quatro meses. E existe um efeito secundário: quem planeja com antecedência compra passagem e hospedagem com calma, comparando, em vez de comprar sob pressão de data. O caso em que a antecedência não ajuda é quando o envelope é saqueado no meio do caminho, o que nos leva à parte de onde o dinheiro vem.
De onde o dinheiro realmente vem
De três lugares, e vale saber qual é o seu. O primeiro é um valor mensal fixo tirado no dia em que o dinheiro entra, tratado como conta. O segundo é dinheiro previsível que chega fora do salário, principalmente décimo terceiro, PLR e férias, que no calendário brasileiro costumam cair perto das épocas de viagem e por isso são a fonte natural, desde que recebam destino antes de cair. O terceiro é a redução consciente de uma categoria durante o período. O que não é fonte é o que sobra no fim do mês, porque isso é zero em quase todos os meses e nenhuma viagem foi financiada assim.
A armadilha: parcelar a passagem
Passagem em dez vezes sem juros parece resolver o problema e apenas o transfere. A viagem passa a ocupar dez meses futuros do seu orçamento, incluindo os meses depois da volta, quando a empolgação acabou e as parcelas continuam. Pior, se durante esses dez meses você parcelar outras coisas, as faturas se empilham e o mês que estoura é sempre alguns meses depois da decisão, o que torna a causa difícil de enxergar. Se você for parcelar mesmo assim, compare o preço à vista com o total parcelado, porque às vezes eles são diferentes, e some cada parcela ao seu orçamento dos meses seguintes antes de confirmar.
O ajuste de envelope para fazer hoje
Crie um envelope Viagem com o total calculado e a data da partida, e encha no dia em que o dinheiro entra, antes dos envelopes variáveis. Se a viagem for daqui a mais de um ano, vale manter dois envelopes: um para passagem e hospedagem, que são pagos antes, e outro para o dia a dia no destino, que é gasto lá. No Envelope Budget a meta com data mostra se o ritmo alcança a partida, e durante a viagem os envelopes viram o seu limite diário, registrado na hora, que é o que evita voltar com uma surpresa na fatura.
Dúvidas comuns
Quanto orçar por dia para comida e passeios?
Não damos um valor, porque ele depende do destino, da época e do tipo de viagem, e um número inventado seria pior do que nenhum. O método que funciona: procure preços reais de restaurantes e atrações no destino escolhido, monte um dia típico com café, almoço, jantar e um passeio, e use esse dia como base. Multiplique pelos dias e pelas pessoas. Depois adicione a folga de 15%. Esse cálculo leva vinte minutos e é o que diferencia um orçamento de viagem de um palpite.
O dinheiro da viagem pode ficar junto com a reserva de emergência?
É melhor não, e o motivo é prático, não moral. Se estiverem juntos, o saldo total parece confortável e a viagem consome uma parte da reserva sem que ninguém tenha decidido isso. Aí basta um imprevisto depois da compra das passagens para a casa ficar sem folga na pior hora possível. Viagem é reserva programada, com data e valor conhecidos. Emergência é outro envelope, com outra regra de saque. Separar custa nada e evita a confusão mais comum entre metas.
E se eu não conseguir atingir o valor mensal?
Três saídas honestas, nessa ordem. Adiar a data, que reduz o valor mensal sem mudar a viagem. Reduzir a viagem, tirando noites, trocando o destino ou o tipo de hospedagem, e menos noites é quase sempre o corte mais eficiente porque hospedagem e alimentação são custos diários. Ou dividir em duas: uma viagem menor agora e a maior no ano seguinte, com o envelope continuando. O que não é saída é manter o plano no papel e completar a diferença no cartão na semana da partida.
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