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App de envelopes vs planilha de gastos

Se a sua planilha funciona, fique com ela. A maioria morre por um motivo estrutural: ela mora no notebook e o gasto acontece no celular, então o registro é adiado para domingo, e registro adiado é memória, não registro. O furo específico daqui é a parcela: uma compra em 10x cria obrigação em dez meses que a planilha quase nunca mostra. O híbrido honesto é registrar no celular durante o mês e exportar para a planilha no fim, deixando ela como arquivo e bancada de análise.

Planilha que funciona vence app novo

A gente faz um app de envelopes e mesmo assim essa é a primeira coisa que vamos dizer: se você tem uma planilha que atualiza de verdade, não troque. O custo de mudar não é a hora de configuração, são as três ou quatro semanas em que a ferramenta nova parece estranha e o registro fica relaxado, e registro relaxado é como orçamento morre, seja em qual for a ferramenta. Excel, Google Sheets ou aquela planilha pronta que você baixou de graça: para esse fim são a mesma coisa, então trate como uma opção só. A pergunta que vale não é qual é melhor no abstrato. É se a sua está atualizada hoje, ou se você está lendo esta página justamente porque ela parou em março.

Por que quase toda planilha morre em março

É problema de lugar, não de disciplina. A planilha mora onde você não está, no notebook em casa, e o gasto acontece onde você está: na fila do mercado, no aplicativo de entrega, no Pix que você manda em pé na calçada. Então o registro é adiado, e registro adiado vira mutirão de domingo. No instante em que vira mutirão, deixou de ser registro e virou memória: você está reconstruindo a semana pelo extrato ou pela lembrança, e tanto a precisão quanto o efeito de perceber o gasto já foram embora. Ninguém nunca mudou uma decisão de compra no domingo sobre uma coisa comprada na quarta. Aí um domingo é pulado, o atraso vira duas semanas, e o arquivo silenciosamente vira um museu de quando você fazia orçamento.

O que a planilha faz melhor, sem rodeio

Fórmulas que você mesmo inventa, e nenhum app vai igualar isso, porque o app precisa adivinhar o que você quer e a planilha não precisa. Qualquer estrutura de categoria, inclusive as estranhas que só fazem sentido na sua vida. É de graça. É portátil num formato que ainda vai abrir daqui a trinta anos. É seu, sem empresa nenhuma entre você e os seus dados e sem nada para cancelar. Dá para compartilhar por link com outra pessoa, os dois editando o mesmo arquivo. E funciona em qualquer aparelho, o que importa bastante se a casa não é toda de iPhone. São vantagens reais, e quem finge que não são está te vendendo alguma coisa. A gente também está te vendendo alguma coisa, e é por isso que está listando.

A coluna que quase toda planilha erra: a parcela

Aqui está o furo específico daqui. Você compra em dez vezes e registra o valor cheio no mês da compra, ou registra só a primeira parcela e esquece as outras nove. Nos dois casos a planilha mente. No primeiro, o mês da compra fica horrível e os dez seguintes ficam otimistas demais. No segundo, você nunca enxerga quanto da sua renda dos próximos meses já está vendida. Dá para resolver isso numa planilha, mas só com uma aba de parcelas futuras mantida viva, e essa é justamente a aba que ninguém mantém. Antes de decidir entre planilha e app, abra a sua e responda uma pergunta: quanto das suas próximas doze faturas já está comprometido? Se ela não responde em dez segundos, o problema dela não é fórmula.

O híbrido que a maioria deveria rodar

Registre durante o mês no celular, porque é lá que o gasto acontece. No fim do mês, exporte para Excel ou PDF e mantenha a planilha como arquivo e como bancada de análise, onde as suas fórmulas fazem coisas que app nenhum vai fazer por você: tendência de vários anos, um modelo próprio de reservas programadas, o que quer que você tenha construído e goste. Vale saber que a exportação faz parte do Plus e não do gratuito, então, se ela é central no seu jeito de trabalhar, planeje isso antes de começar. Essa divisão respeita as duas ferramentas pelo que cada uma é boa. O celular é aparelho de captura. A planilha é bancada, e bancada não se leva para a fila do caixa.

Suas colunas, mudando de lugar

Nada do que você montou se perde na mudança, só muda de forma. A coluna de categoria vira o nome do envelope. Orçado vira o aporte, o valor que você separa para aquele envelope quando o dinheiro cai. Gasto vira os lançamentos que você registra contra ele. Saldo vira o saldo do envelope, que era o número que a sua fórmula calculava e agora você simplesmente lê. A única coluna sem equivalente na planilha é a origem da transferência: quando um envelope zera e você puxa dinheiro de outro, o app registra de onde veio. Essa é a linha que quase toda planilha maquia, e é exatamente a linha que conta quanto o seu estouro custou de verdade.

Dúvidas comuns

Planilha é melhor que app de controle financeiro?

Para analisar, é, e nem é perto: nada que um app te dê vai bater uma fórmula que você escreveu para a sua situação. Para capturar, não é, porque o arquivo está no notebook e o gasto acontece longe dele. Essa é a divisão real. Se o seu orçamento falha na análise, ou seja, você tem os dados mas não enxerga o padrão, a planilha é a solução. Se ele falha na captura, ou seja, você simplesmente não tem números atualizados, nenhuma sofisticação de planilha vai te salvar, e o celular vai.

Dá para tirar os dados do app e levar para a planilha?

Dá. O app exporta Excel e PDF, com visão de resumo, extrato e mês a mês, e isso faz parte do Plus, não do gratuito. Ler todos os números dentro do app é grátis para sempre; o que o Plus compra é tirar os dados de lá em forma de arquivo. Se manter um arquivo permanente em planilha é central no seu jeito de trabalhar, considere isso antes de começar, porque exportar todo mês só vira hábito se estiver disponível no dia em que você quer fazer.

Como eu registro compra parcelada na planilha?

Do jeito que funciona, e não do jeito rápido: uma linha por parcela, cada uma no mês em que ela vai cair na fatura, com a compra inteira anotada à parte como compromisso assumido. Assim o mês da compra não fica distorcido e os meses seguintes param de parecer vazios. O trabalho não é montar isso, é manter. Toda vez que você parcela alguma coisa, precisa voltar na planilha e abrir as linhas novas no mesmo dia. Se você não vai fazer isso no mesmo dia, o método falha na semana dois.

Como eu paro de esquecer de atualizar a planilha?

Pare de contar com a sessão semanal, porque a sessão é justamente o ponto de falha. Ou você move a captura para uma coisa que anda com você, ou encolhe o registro para algo que dá para fazer no estacionamento em dez segundos e aceita que a planilha só é conciliada uma vez por mês. Se quiser continuar inteiramente na planilha, a versão que funciona é um formulário de lançamento pelo celular e um gatilho fixo, tipo lançar a compra antes de sair da loja. O que não funciona é prometer a si mesmo um domingo mais longo.

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