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O relatório de gastos do banco é suficiente?
O relatório de gastos do app do banco ou do cartão é grátis, já está instalado, tem os seus lançamentos reais e categoriza sozinho, o que faz dele um primeiro passo legítimo para quem nunca controlou nada. Ele para sempre nos mesmos lugares: as categorias são do banco e não suas, a visão é do mês passado e não da compra de agora, e um saldo só não sabe dizer a que aquele dinheiro já está prometido. Aqui tem um quarto limite: o relatório mostra o mês em que você gastou, a fatura debita no mês seguinte e a parcela estica isso por mais meses ainda.
O que o relatório do banco faz bem
Não custa nada, já está instalado e tem a coisa que todo app de orçamento quer ter: os seus lançamentos reais, completos, sem você digitar nada. A categorização acontece sem você pedir. Configuração é zero. Para quem nunca acompanhou nada e não faz ideia de para onde o dinheiro vai, esse é honestamente o primeiro passo certo, e a gente prefere dizer isso a fingir que todo mundo precisa comprar um app. Não citamos banco nem app específico nesta página porque essas ferramentas mudam de instituição para instituição e mudam com frequência, então qualquer coisa específica que a gente escrevesse estaria errada em algum lugar. Passe um mês lendo o seu antes de comprar qualquer coisa. É informação de graça sobre o seu próprio comportamento.
Onde ele para, sempre nos mesmos três lugares
Primeiro, as categorias pertencem ao banco. O seu gasto é separado na ideia que ele tem de compras e lazer, e não nas quatro ou cinco distinções que realmente pesam nas suas decisões. Segundo, a visão é retrospectiva, apresentada como relatório do mês passado, e ele chega muito depois das decisões que descreve. Terceiro, o saldo é um número só: o dinheiro do aluguel, o dinheiro do pneu que você vai trocar em março e o dinheiro que você pode gastar de verdade parecem idênticos dentro da conta, então você gasta uma vez e se surpreende duas. Nada disso é defeito. É o limite estrutural do que uma ferramenta construída em cima de histórico consegue dizer.
O motivo estrutural
O banco sabe o que você fez. Ele não sabe o que você pretendia, e orçamento é inteiramente a distância entre essas duas coisas. O app do banco consegue te dizer que saiu um tanto em supermercado neste mês. Ele não consegue te dizer que parte daquilo deveria ter sido o conserto do carro, porque você nunca contou isso para ele, e não existe no extrato um lugar onde intenção possa morar. É também por isso que ele não tem opinião sobre o que você não deveria gastar: opinião exige plano, e plano é coisa que uma pessoa escreve, não coisa que um extrato produz. O que só observa vai reportar para sempre, e reportar não é a mesma atividade que decidir.
O desencontro de mês que ninguém avisa
Tem um quarto limite que é bem daqui. O relatório mostra o gasto no mês em que você comprou. A fatura do cartão sai do seu saldo no mês seguinte. E se a compra foi parcelada, ela continua saindo por mais meses depois disso. Ou seja, a tela organizada por data da compra e a conta que esvazia por data de vencimento estão desencontradas todo mês, e a parcela alarga esse desencontro. Por isso existe o mês em que o relatório parece ótimo e a conta fica no vermelho no vencimento seguinte, que é onde muita gente desiste. O relatório não resolve isso. Ele só desenha na mesma tela dois números com datas diferentes. A solução é um envelope guardando o dinheiro da fatura, e isso é trabalho de plano.
A conversão de quinze minutos
Abra o app do banco uma última vez no papel de relatório. Anote o gasto do mês passado nas categorias que ele te deu, ignore qualquer linha que no mês inteiro deu quase nada, e você normalmente vai ficar com seis a dez linhas que significam alguma coisa. Essas viram os seus envelopes, e os valores do mês passado viram o valor inicial de cada um, porque o seu próprio histórico é uma estimativa melhor do que qualquer porcentagem recomendada. Abasteça quando o dinheiro cai, e não como total do mês. A partir daí pare de ler o relatório como se ler fosse a atividade de orçar: ele vira só a fonte da verdade sobre o que efetivamente saiu.
Quando ficar só com o app do banco
Fique se você nunca orçou nada e precisa de um mês de dados primeiro. Fique se você tem vários cartões e quer principalmente histórico correto, e não limite. E fique se você sabe que não vai registrar compra na mão, porque uma ferramenta que roda sozinha ganha de um app de envelopes que você abandona em três semanas. A gente faz um app de registro manual, então a troca que estamos propondo precisa ficar clara: você percebe o gasto antes de pagar, em troca de digitar cada compra. Nada é importado, e o sistema quebra no dia em que você para de registrar. Se isso soa como um mau negócio para você, acredite em você. A comparação em três caminhos está em /compare.
Dúvidas comuns
O controle de gastos do meu banco já basta?
Basta para descobrir para onde o seu dinheiro vai, e isso não é pouco. Não basta para segurar dinheiro com um destino, porque tudo o que está numa conta é um número só, esteja prometido a quê estiver. Se o seu problema é que você genuinamente não sabe quanto gasta, use o relatório por um mês e leve a resposta. Se o seu problema é que você sabe e mesmo assim acontece, o que está faltando é um limite visível antes de você pagar, e isso é o que um envelope, uma conta separada ou o dinheiro vivo entregam.
Por que não usar as categorias que o banco atribui sozinho?
Use como estimativa de partida, para isso elas servem bem. O que elas não conseguem é bater com as distinções que você usa para decidir. A categorização automática separa por estabelecimento, então a compra do mês e a corrida em que você só pegou produto de limpeza caem juntas, e um mercado grande engole cinco tipos diferentes de gasto. Você só muda comportamento numa categoria que significa alguma coisa para você. Pegue os valores do banco como número inicial, e depois renomeie e divida nos seis a dez envelopes que descrevem a sua vida em vez dos seus estabelecimentos.
E os Pix? Eles aparecem categorizados?
Normalmente aparecem como transferência, com o nome de quem recebeu, e isso é tudo o que o banco tem para trabalhar. Uma transferência para uma pessoa pode ter sido almoço, rachar uma conta, pagar um serviço ou emprestar dinheiro, e nenhuma dessas coisas está escrita em lugar nenhum do lançamento. Por isso o Pix costuma ser a maior massa cinzenta do relatório. Essa é a parte em que registro manual honestamente ganha: você é a única fonte que sabe o que aquele Pix era, e escrever isso leva alguns segundos no momento em que você ainda lembra.
Preciso parar de usar o app do banco?
Não, e não deveria. Ele continua sendo a autoridade sobre o que efetivamente foi debitado, que é exatamente o que você quer para conferir e para pegar cobrança que você não esperava. O que muda é a função dele: deixa de ser o lugar onde o plano mora. O plano precisa ficar num lugar que você confere em três segundos antes de pagar, seja envelope no celular, conta separada ou dinheiro vivo. Leia o extrato a cada quinze dias para pegar o que passou batido, e não como se isso fosse a atividade de orçar.
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