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Modelo de envelopes para quem manda dinheiro para a família

Separe as duas obrigações que sempre se misturam: o valor fixo que você manda todo mês e o pedido de emergência que chega sem aviso. Este modelo dá um envelope para cada uma, com teto e reposição mensal na segunda, e protege a sua própria reserva de emergência em 10%. Os 11 envelopes vão de 28% moradia e 15% de ajuda mensal fixa até 5% de pedidos de emergência com teto e 2% de presentes e datas.

A divisão

Envelope %
🏠 Moradia e Contas de Casa
A sua casa vem primeiro na ordem de enchimento, mesmo que não venha primeiro na cabeça.
28%
💚 Ajuda Mensal Fixa
Valor combinado, mesma data todo mês. Previsível para você e para eles.
15%
🛒 Mercado
Comida da sua casa. A dos seus pais entra na ajuda mensal.
13%
🛡️ Sua Reserva de Emergência
Se você quebrar, a ajuda acaba junto. É proteção deles também.
10%
🚗 Transporte
Combustível, transporte público, aplicativo e a reserva do veículo.
7%
🚌 Viagem para Ver a Família
Reserva programada. Passagem comprada com antecedência custa outra coisa.
6%
💳 Dívidas
Fatura e parcelas. Ajudar no crédito é como a ajuda vira dívida sua.
6%
🚨 Pedidos de Emergência (com teto)
Separado da ajuda fixa de propósito. Quando esvazia, a resposta é este mês não.
5%
🧍 Pessoal e Lazer
Seu, sem justificativa. Quem ajuda a família apaga esta linha primeiro e não deveria.
5%
📱 Celular e Internet
Inclui a linha ou a internet que você paga para eles, se você paga.
3%
🎁 Presentes e Datas
Aniversários, Dia das Mães, Natal. Chegam todo ano na mesma data e sempre parecem imprevistos.
2%

As duas obrigações que se confundem

Quem ajuda a família tem, na verdade, dois compromissos diferentes com o mesmo nome. O primeiro é o valor mensal combinado, previsível, que dá para orçar como se fosse conta de luz. O segundo é o pedido que chega sem aviso, no meio da semana, com urgência real: um remédio, um conserto, uma conta atrasada. Quando os dois saem do mesmo lugar, o mês vira uma negociação permanente e você nunca sabe se pode dizer sim. Separar em dois envelopes resolve quase tudo, porque cada um passa a ter um saldo próprio e uma regra própria, e você para de responder o segundo tirando dinheiro do primeiro.

Ponha teto no envelope de emergência, de propósito

O envelope de pedidos de emergência existe para você poder dizer sim rápido, sem reabrir o orçamento inteiro, e existe com teto para você poder dizer não sem inventar desculpa. Escolha um valor que caiba, encha no dia primeiro e não antecipe o teto do mês seguinte. Quando esvaziar, a resposta é que a ajuda deste mês já foi usada, o que é uma frase diferente e mais verdadeira do que não tenho. Se um pedido for realmente maior do que o teto, aí é decisão consciente: você tira de um envelope com nome e vê exatamente o que deixou de acontecer. Esse atrito é o valor da coisa toda.

Encha a sua reserva antes que ela vire a última

O padrão mais comum entre quem sustenta parente é a própria reserva de emergência ser a linha que nunca enche, porque sempre existe um uso mais urgente e mais concreto do outro lado. O problema é aritmético e não moral: sem reserva, o seu primeiro imprevisto vira cartão, o cartão vira parcela e a parcela come exatamente o dinheiro da ajuda dos meses seguintes. Encher a sua reserva é a coisa mais protetora que você pode fazer pela pessoa que depende de você. Coloque a reserva na mesma ordem de enchimento da moradia, antes da ajuda mensal, e trate a ajuda como o que sai depois disso, não como o que sai primeiro.

Combine o valor uma vez, em voz alta

Ajuda sem número combinado vira uma pergunta aberta que todo mundo responde de forma diferente. Diga o valor, diga a data e diga o que ele cobre. Uma frase do tipo mando este valor todo dia cinco, e ele é para mercado e farmácia é mais fácil de manter, e mais fácil de ajustar quando a sua renda mudar, do que uma sequência de Pix sem explicação. A conversa é desconfortável uma vez e depois deixa de existir. Também vale combinar a revisão: uma vez por ano vocês olham o valor de novo. Assim ele pode subir quando der e descer quando precisar, sem virar assunto de crise.

A mudança para fazer este mês

Crie dois envelopes onde hoje existe um: ajuda mensal fixa e pedidos de emergência com teto. Depois mova a sua reserva de emergência para antes da ajuda na ordem de enchimento. Essas duas mudanças levam cinco minutos e mudam a estrutura do ano inteiro, porque tiram da mesa a decisão repetida de quanto dá este mês. Registrar as transferências à mão ajuda mais aqui do que em quase qualquer outro modelo: dinheiro que sai por Pix não deixa nome de loja no extrato, e no fim do mês some sem explicação. Anotado, ele vira um total que você consegue olhar e conversar.

Dúvidas comuns

Quanto da minha renda devo mandar para a minha família?

Não existe porcentagem certa e ninguém de fora consegue definir a sua. O que dá para dizer com honestidade é a ordem: um valor que você consiga mandar todos os meses sem parar de encher a sua reserva de emergência e sem recorrer a cartão. Se a ajuda atual só cabe com cartão ou com parcelamento, ela já está maior do que a sua renda, e o ajuste é agora e não daqui a seis meses. Um valor menor e constante ajuda mais do que um valor grande que quebra em três meses.

Como dizer não a um pedido de dinheiro da família?

Com um número, e não com um julgamento. É por isso que o envelope tem teto: a resposta passa a ser sobre um saldo e não sobre a pessoa. Quando o envelope está vazio, a frase é que a ajuda deste mês já foi usada e que no dia primeiro ele enche de novo, o que é verdade e é verificável. Também ajuda combinar antes o que o envelope cobre, para o pedido chegar já sabendo do limite. O objetivo não é dizer não mais vezes, é parar de decidir sob pressão.

Devo pagar as contas deles direto ou mandar o dinheiro?

Depende do combinado, e as duas formas funcionam desde que fiquem no mesmo envelope. Pagar direto dá previsibilidade e deixa o comprovante com você; mandar o valor dá autonomia para quem recebe. O que atrapalha é misturar as duas de forma não registrada, porque no fim do mês ninguém sabe quanto foi. Escolha um formato, mantenha por alguns meses e anote tudo no mesmo envelope. Se você paga contas em nome de outra pessoa de forma constante, guarde os comprovantes, o que evita mal-entendido entre irmãos mais tarde.

Vale manter reserva de viagem mesmo sem viagem marcada?

Vale, e é a linha que mais gente esquece. Visitar a família raramente é planejado com meses de antecedência quando acontece por um motivo ruim, e passagem comprada de última hora custa outra coisa. Um envelope pequeno enchido todo mês significa que a viagem é uma decisão de agenda e não uma decisão de dinheiro, e significa que ela não vai parcelada no cartão. Se o ano passar sem viagem, o saldo continua lá e você decide o que fazer com ele em dezembro, o que é um problema bem melhor de ter.

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