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Quanto Levar para o Carnaval
Carnaval é o maior gasto discricionário do ano para muita gente e cai no pior momento possível: logo depois de janeiro ter levado IPVA, IPTU, material escolar e a fatura do Natal. Por isso a única pergunta que interessa é quanto você decide levar, definida antes de sair de casa e separada em um envelope próprio. A estrutura que funciona tem três partes — os custos que se paga antes, um teto por dia para os gastos soltos, e um valor de volta que não se toca. Comece a guardar em setembro, não em fevereiro.
O problema não é o Carnaval, é a sequência
O Carnaval não seria difícil se chegasse em qualquer outro mês. O que o torna perigoso é a ordem: dezembro consome o décimo terceiro e enche a fatura, janeiro traz IPVA, IPTU, matrícula e material escolar, e fevereiro pede uma explosão de gasto discricionário quando todo mundo está raspando. É por isso que tanta gente atravessa o Carnaval no cartão parcelado e passa o resto do ano pagando por quatro dias. A correção é ridiculamente simples e completamente impopular: comece a guardar em setembro. Uma fração pequena por mês, numa reserva programada com o nome da folia, torna a decisão de fevereiro trivial — você gasta o que existe, e não existe fatura em março.
Separe o que se paga antes do que se gasta na rua
Os custos do Carnaval têm naturezas diferentes e precisam de tratamentos diferentes. De um lado estão os custos comprometidos, que você paga com antecedência e que são fáceis de somar: ingresso de bloco ou camarote, abadá, hospedagem, passagem ou combustível e pedágio, fantasia. De outro estão os gastos soltos, que acontecem em dezenas de pequenas transações em dinheiro e em transferências instantâneas ao longo de cada dia: bebida, comida de rua, transporte por app, banheiro, imprevisto. Os primeiros você decide uma vez, com calma, comparando. Os segundos são onde o orçamento realmente estoura, porque não têm decisão única — têm sessenta decisões pequenas em quatro dias, todas tomadas em condições ruins para decidir.
Um teto por dia, definido antes de sair
Para os gastos soltos, o mecanismo que funciona é o teto diário. Decida o valor total que o Carnaval pode custar em gastos de rua, divida pelo número de dias e trate cada dia como um envelope independente. Dinheiro em espécie na quantia do dia é a versão mais eficiente do método, porque a carteira vazia é uma informação que chega antes da fatura. Se você usa transferência instantânea, o equivalente é registrar cada gasto na hora e olhar o saldo do dia — leva cinco segundos e é a única coisa que devolve visibilidade a um meio de pagamento que não tem nenhuma. Se um dia estourar, o dia seguinte encolhe. É assim que o total se mantém.
O dinheiro da volta não entra na conta
Antes de dividir qualquer coisa por dias, tire de lado o valor de voltar para casa e de sobreviver até a próxima entrada de dinheiro: transporte de volta, combustível, e o mercado da semana seguinte. Esse valor sai do envelope do Carnaval logo no começo e vai para um envelope separado que não é aberto sob nenhuma hipótese. É a diferença entre um Carnaval caro e um Carnaval que gera dívida. Quem viaja deve incluir aqui também uma margem para imprevisto de viagem — pneu, remédio, uma diária a mais. Não é pessimismo: é o que permite gastar o resto sem calcular a cada compra se ainda dá para voltar.
O envelope: reserva programada de setembro a fevereiro
Crie uma reserva programada chamada Carnaval e defina o total antes de definir a mensalidade — não o contrário. Escolha quanto essa folia pode custar, divida pelo número de meses até fevereiro e guarde essa fração toda vez que o dinheiro entrar. Em fevereiro, o que estiver ali é o Carnaval, e o que não estiver não acontece. Dentro do total, separe primeiro o dinheiro da volta, depois os custos comprometidos, e o que restar vira o teto diário. Se você recebe adiantamento e salário, divida a contribuição entre as duas entradas. E resista à tentação de completar no cartão: parcelar o Carnaval é vender o outono para pagar quatro dias.
Dúvidas comuns
Quanto se gasta em um Carnaval?
Não existe um número, e desconfie de quem publicar um: depende de ficar na sua cidade ou viajar, de blocos de rua ou eventos com ingresso, do número de dias e de quantas pessoas dividem a hospedagem. A pergunta útil é a inversa. Em vez de perguntar quanto custa, decida quanto você quer que custe, e construa a folia dentro desse valor — escolhendo destino, dias e tipo de evento a partir do teto, e não o teto a partir das escolhas. Se você já foi antes, some o que gastou da última vez pelo extrato: esse é o seu ponto de partida honesto.
Como não gastar demais na rua durante o Carnaval?
Use teto diário e torne o saldo visível. Dinheiro em espécie na quantia exata do dia funciona melhor que qualquer aplicativo, porque a carteira vazia dá o aviso antes que ele custe caro. Se você paga por transferência instantânea, registre cada gasto na hora, ainda na rua — é o único jeito de um meio de pagamento sem atrito nenhum voltar a ter atrito. Duas táticas complementares ajudam bastante: comer antes de sair e levar água, porque bebida e comida compradas com pressa no meio do bloco são o item mais caro do dia, e combinar antes como o grupo divide as contas.
Vale a pena parcelar a viagem de Carnaval?
Do ponto de vista de orçamento, o problema do parcelamento não é a viagem — é que ele vende meses futuros que ainda não têm orçamento, e o Carnaval já cai em cima de um janeiro caro. Se você for parcelar, faça o teste antes de fechar: escreva as parcelas mês a mês, some com as parcelas que já existem de outras compras e verifique se o total cabe na sobra real de cada um desses meses. Se couber, é uma decisão informada. Se não couber, a resposta é reduzir a viagem agora, o que é bem mais barato do que reduzir o ano inteiro depois.
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