Como montar a reserva para IPVA, IPTU, licenciamento e seguro
IPVA, licenciamento, IPTU e o seguro anual são grandes, previsíveis e chegam quase sempre no mesmo trecho do ano, o que faz deles o caso clássico de reserva programada. O método tem uma etapa só: pegue os seus boletos do ano passado, some, divida por doze e encha esse valor todo mês. Se o total anual foi R$3.600, são R$300 por mês. Valores, calendários e descontos variam por estado, por município e às vezes pelo final da placa, então consulte a fonte oficial da sua região e monte a conta com os seus próprios números.
Por que essas contas derrubam orçamentos
Não é porque são caras, é porque são anuais. Uma despesa mensal aparece no orçamento e você aprende a conviver com ela. Uma despesa anual não aparece em onze meses e no décimo segundo chega inteira, várias vezes maior que qualquer conta comum, e ainda por cima acompanhada de outras iguais a ela. IPVA, licenciamento, IPTU e o seguro do carro costumam se concentrar no começo do ano, junto com matrícula e material escolar. Quando não existe envelope, o dinheiro sai da reserva de emergência ou do cartão, e as duas saídas custam caro: uma esvazia a proteção da casa, a outra transforma imposto em parcela.
A conta, feita com os seus boletos
Junte os comprovantes do ano passado: IPVA, licenciamento, IPTU, seguro do carro, seguro residencial se você tem. Some. Divida por doze. Esse é o valor mensal do envelope, e ele já era seu de qualquer jeito: a diferença é que agora ele espera num lugar com nome em vez de aparecer como surpresa. Se o total foi R$3.600, são R$300 por mês, ou R$150 em cada uma das duas entradas de dinheiro do mês. Adicione uma folga para o reajuste do ano seguinte, porque valores mudam, e revise o envelope uma vez por ano com os boletos novos, sempre no mesmo mês.
Cota única ou parcelado, o envelope resolve os dois
Impostos como IPVA e IPTU costumam ter a opção de pagamento em cota única e a de parcelamento, e a diferença entre as duas aparece no seu próprio boleto, com os valores e os prazos da sua região. Não citamos percentuais nem datas aqui, porque isso muda por estado e por município e pode depender até do final da placa. O que o envelope faz é dar a você a escolha: com o dinheiro reservado, você pode optar pela cota única se ela for melhor no seu caso, em vez de ser empurrado para o parcelamento por não ter o valor disponível. Consulte a fonte oficial da sua região para o calendário e as condições.
Um envelope por conta ou um envelope só
As duas formas funcionam e a escolha é de temperamento. Um envelope único chamado Contas Anuais é mais simples de manter e suficiente para a maioria das casas, desde que você anote quais contas ele cobre. Envelopes separados, um para o carro e outro para o imóvel, dão mais clareza quando as datas são muito distantes entre si ou quando duas pessoas dividem custos diferentes. O que não funciona é misturar essas contas com a reserva de emergência, porque em janeiro a reserva estaria vazia sem que ninguém tivesse cometido nenhum erro, e a casa passaria o resto do ano exposta.
O que fazer se janeiro já está chegando
Se você está lendo isso perto do fim do ano e não tem o envelope, ainda existe uma jogada boa: destinar uma parte do dinheiro previsível de fim de ano, como o décimo terceiro, para as contas do começo do ano, decidindo isso por escrito antes de o valor cair. Essa é a razão mais valiosa para não gastar tudo em dezembro, e ela costuma ser esquecida porque as contas de janeiro ainda não têm boleto na mão em novembro. Depois de atravessar esse ano, comece o envelope mensal em fevereiro, para que o janeiro seguinte já esteja pago antes de chegar.
Dúvidas comuns
Quanto vou pagar de IPVA e de IPTU este ano?
Não temos como dizer e nem tentaríamos: os valores dependem do estado, do município, do veículo ou do imóvel e de regras que mudam de um ano para o outro. Consulte o órgão oficial do seu estado para o veículo e a prefeitura da sua cidade para o imóvel, onde estão o calendário, as condições e o valor do seu caso. Para efeito de orçamento, o número mais útil que você tem hoje é o boleto do ano passado, e uma folga em cima dele para o reajuste. Reserve por esse valor e ajuste quando o boleto novo chegar.
Essa reserva é a mesma coisa que a reserva de emergência?
Não, e manter as duas separadas é justamente o que faz a reserva de emergência sobreviver. Emergência é o que você não podia prever. IPVA, IPTU, licenciamento e seguro têm data e você sabe deles com um ano de antecedência, então são reserva programada. Casas que usam um envelope só chegam ao começo do ano com a reserva de emergência zerada e concluem, erradamente, que não conseguem poupar. Elas conseguiam: o dinheiro só estava sendo usado por uma conta que sempre esteve no calendário.
E se eu não tiver carro?
O envelope continua valendo, só muda a lista. Sem carro, as contas anuais costumam ser IPTU, seguro residencial quando existe, e o que a sua vida tiver de anual, como uma anuidade profissional, a vacinação do pet ou uma manutenção periódica do imóvel. O método é idêntico: some o que venceu no ano passado, divida por doze e encha todo mês. A vantagem de escrever essa lista é descobrir despesas anuais que você nem lembrava que existiam, que são exatamente as que aparecem como surpresa.
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