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Modelo de envelopes para MEI e autônomo: pró-labore fixo

O problema central de quem é MEI ou autônomo não é ganhar pouco, é não existir fronteira entre o dinheiro do trabalho e o dinheiro da casa. Este modelo cria a fronteira: tudo que entra passa primeiro pelos envelopes do trabalho, e você paga a si mesmo um valor fixo todo mês. Os 13 envelopes incluem 8% de reserva de meses fracos e 5% para o seu próprio décimo terceiro e as suas próprias férias.

A divisão

Envelope %
🏠 Moradia e Contas de Casa
Sai do seu pró-labore, não do faturamento. A diferença é o modelo inteiro.
25%
🛒 Mercado
Comida de casa. Se você come na rua a trabalho, isso é custo do trabalho.
12%
🧰 Custos do Trabalho
Material, insumo, deslocamento, plataforma, anúncio. Tudo que só existe porque você trabalha.
10%
🌧️ Reserva de Meses Fracos
É ela que paga o seu pró-labore no mês em que o cliente sumiu.
8%
🛡️ Reserva de Emergência
Diferente da reserva de meses fracos. Uma cobre a renda, a outra cobre o susto.
8%
🧍 Pessoal e Lazer
Seu, sem justificativa. Quem trabalha por conta apaga esta linha primeiro.
6%
🚗 Transporte
O seu deslocamento pessoal. O de trabalho fica em custos do trabalho.
6%
🧾 Reserva de Impostos e Contador
Guias, declaração e honorário de quem cuida disso. Consulte o valor com o seu contador.
5%
🏖️ Seu 13º e Suas Férias
Ninguém te paga isso, então você paga. É o que permite parar sem perder renda.
5%
🩺 Saúde
Plano, consulta, farmácia. Sem empregado por trás, esta linha é toda sua.
5%
📈 Poupança de Longo Prazo
Dinheiro que você não mexe este ano. Trabalhar por conta não vem com nada por padrão.
4%
📄 Obrigação Mensal do Registro
A guia mensal que mantém o seu registro em dia. Use o valor da sua própria guia atual.
3%
💻 Reserva de Equipamento
Notebook, máquina, ferramenta. Elas quebram, e sempre no mês errado.
3%

A fronteira que não existe é o problema inteiro

Quem trabalha por conta própria quase nunca quebra por ganhar pouco. Quebra porque o dinheiro do trabalho e o dinheiro da casa vivem na mesma conta, e nessa conta não dá para responder duas perguntas básicas: quanto o trabalho realmente rende e quanto eu posso gastar este mês. Sem a fronteira, um mês bom parece aumento de padrão e um mês ruim parece fracasso pessoal. Este modelo cria a fronteira sem exigir nada complicado: tudo que entra é faturamento, os envelopes do trabalho saem primeiro, e o que restar vira um valor fixo que você paga a si mesmo, sempre igual, na mesma data.

Defina o pró-labore abaixo da média, não em cima

O valor fixo que você se paga é a decisão mais importante da página. Some o que entrou nos últimos seis meses, tire os custos do trabalho, as reservas e a obrigação mensal, divida por seis e depois defina o seu pró-labore um pouco abaixo desse número. Abaixo, não em cima. Um pró-labore otimista funciona até o primeiro mês fraco e depois esvazia todas as reservas de uma vez. Um pró-labore modesto sobra nos meses bons, e a sobra enche a reserva de meses fracos, que é justamente o que permite você continuar recebendo o mesmo valor quando o mês vier ruim. Revise o número a cada seis meses e não a cada mês bom.

As duas reservas que fazem o modelo funcionar

Reserva de meses fracos e reserva de emergência parecem a mesma coisa e não são. A primeira cobre oscilação normal de renda: o cliente que atrasou, o mês de janeiro que é sempre mais devagar, a virada de contrato. Ela é usada com frequência e reposta com frequência, e o alvo é conseguir bancar dois ou três pró-labores. A segunda cobre o que não é normal: doença, acidente, um equipamento que morreu, um mês inteiro sem conseguir trabalhar. Ela é usada raramente e não deveria ser tocada por oscilação de faturamento. Manter as duas separadas evita o erro clássico de descobrir que a reserva de emergência sumiu em pequenas quedas de faturamento.

Pague a si mesmo o décimo terceiro e as férias

Ninguém te dá décimo terceiro e ninguém te paga para parar, então dezembro e as férias viram meses de renda zero com gasto alto, que é a pior combinação possível. O conserto é criar as duas coisas com as suas próprias mãos: um envelope que recebe uma fatia de tudo que entra e que existe para bancar um mês parado por ano e um reforço no fim do ano. Trate esse envelope como intocável durante o ano, do mesmo jeito que um salário retido é intocável. É a linha que separa trabalhar por conta de nunca poder parar, e ela custa uma fatia pequena todo mês contra um problema muito grande.

As obrigações do registro: use os seus próprios documentos

Manter um registro em dia envolve uma obrigação mensal e outras obrigações periódicas, cujos valores, prazos e regras mudam com o tempo e dependem da sua atividade e do seu enquadramento. Esta página não vai dizer quanto é, quem se enquadra ou o que declarar, porque esse é território de regra tributária e errar sai caro. O que ela recomenda é o comportamento: descubra o valor atual na sua própria guia e o calendário na fonte oficial, coloque em um envelope fixo mensal e trate como conta de luz. Se a sua atividade for mais complexa, o honorário de um contador cabe no envelope de impostos e costuma se pagar.

Dúvidas comuns

Como separar o dinheiro da empresa do dinheiro pessoal sendo MEI?

O mínimo funcional são duas contas e um dia fixo. Uma conta recebe tudo que entra do trabalho, e dela saem os custos do trabalho, as reservas e a obrigação mensal. No mesmo dia todo mês, você transfere para a sua conta pessoal um valor fixo, que é o seu pró-labore, e a sua vida inteira cabe nele. Se você só puder ter uma conta, use envelopes com nomes claros separando os dois lados. O que não funciona é decidir a cada semana quanto dá para tirar, porque a resposta sempre depende do humor do mês.

Quanto devo me pagar por mês?

Some seis meses de entradas, tire custos do trabalho, reservas e obrigações, divida por seis e defina um valor um pouco abaixo do resultado. A folga é o que enche a reserva de meses fracos nos meses bons e o que permite você manter o mesmo valor nos meses ruins. Revise a cada seis meses, e aumente só quando a reserva de meses fracos já cobrir dois ou três pró-labores. Aumentar o próprio pagamento depois de um mês excelente é o erro mais comum e o mais caro.

Preciso de reserva de emergência se já tenho reserva de meses fracos?

Precisa, porque elas cobrem coisas diferentes. A reserva de meses fracos é dinheiro de operação: entra e sai o tempo todo, acompanhando a oscilação normal do faturamento. A reserva de emergência cobre o que interrompe a sua capacidade de trabalhar, como doença ou a perda de um equipamento essencial. Se as duas ficarem juntas, a oscilação normal consome a proteção real e você descobre isso no pior momento possível. Mantenha em envelopes separados, com regras diferentes de uso, mesmo que o dinheiro esteja no mesmo lugar.

E se um mês vier muito melhor do que o normal?

Mantenha o pró-labore igual e mande o excedente, nesta ordem: completar a reserva de meses fracos até dois ou três pró-labores, completar o envelope de 13º e férias, repor a reserva de equipamento, e só então poupança de longo prazo ou uma meta. O que não funciona é aumentar o padrão de vida no mês bom, porque o padrão sobe rápido e desce devagar. Um mês excelente é informação sobre o seu teto, não sobre a sua média, e a média é o que paga o aluguel.

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